O que é?

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma doença que se caracteriza por múltiplos eventos em que durante o sono existem pausas involuntárias momentâneas na respiração da pessoa. Isto acontece na maioria das vezes devido ao colapso repetido (obstrução) das vias aéreas quando os músculos da garganta relaxam durante o sono. Esta doença provoca sintomas como roncos e a sensação de asfixia / falta de ar durante a noite, resultando em má qualidade do sono e sonolência diurna, com consequências nefastas para a saúde e

A SAOS é uma doença bastante frequente e o seu risco é proporcional ao aumento do peso corporal. Devido aos despertares durante o sono, estas pessoas geralmente sentem-se sonolentas durante o dia e podem ter problemas com a atenção, memória, concentração e humor (irritabilidade). Acredita-se que a SAOS esteja associada ao desenvolvimento ou agravamento de doenças cardíacas e outros problemas médicos importantes.

Resumidamente a SAOS é uma doença caracterizada pelo estreitamento ou encerramento (obstruções) da via aérea superior durante o sono, resultando na diminuição ou mesmo cessação da passagem de ar, o que denominamos de apneias. Essa obstrução ocorre na parte de trás da garganta, na zona conhecida como “faringe”. Estes eventos acontecem repetidamente durante toda a noite e frequentemente estas pessoas não estão sequer conscientes deles – na maioria dos casos são os familiares (principalmente quem dorme no mesmo quarto) que os alerta para este problema.

A patência da via aérea superior é mantida pelas estruturas ósseas e cartilaginosas que circundam a naso e a orofaringe, juntamente com os músculos. As pessoas com SAOS têm uma diminuição do calibre da via aérea superior devido ao excesso de tecido mole circundante, reduzindo o espaço disponível para o ar circular. Este facto, combinado com a diminuição do efeito do sistema nervoso nos músculos durante o sono e no início da apneia, pode resultar em colapso parcial ou completo da via aérea superior.

Estes despertares recorrentes levam a um sono muito perturbado. As pessoas com SAOS costumam acordar de manhã sentindo que não dormiram bem ou que não descansaram. A respiração insuficiente durante a noite devido à apneia ou à hipopnéia (obstrução parcial) pode resultar em que os níveis de oxigénio no sangue diminuam e os de dióxido de carbono aumentem. Como as vias aéreas estão bloqueadas, respirar mais rápido ou com mais força não ajuda a melhorar os níveis de oxigénio até que as vias aéreas estejam desobstruídas. Normalmente isso requer que a pessoa desperte para ativar os músculos das vias aéreas superiores e, assim que a via aérea esteja aberta, a pessoa respira fundo várias vezes para recuperar do evento obstruído.

A Apneia Obstrutiva do Sono não é o único tipo de apneia do sono que uma pessoa pode sofrer, embora seja de longe o tipo mais comum. A apneia do sono central, o outro tipo principal de apneia do sono, ocorre quando o sistema nervoso de uma pessoa não transmite adequadamente a informação ao resto do corpo para respirar continuamente. Em caso de suspeita ou de dúvida, um estudo do sono completo pode determinar facilmente qual o tipo de apneia do sono que está presente.

A SAOS está a aumentar em prevalência em todo o mundo. Esta aumenta notoriamente entre os 18 aos 45 anos, com um plateau ocorrendo entre os 55 e 65 anos de idade.

É mais frequente em indivíduos da raça negra com menos de 35 anos de idade, comparativamente com caucasianos da mesma faixa etária – esta observação é independente do peso corporal. Estima-se que três a quatro por cento das mulheres e seis a nove por cento dos homens têm SAOS – algumas das diferenças podem estar relacionadas com a idade, embora haja pouca diferença entre os dois géneros entre os adolescentes ou após a sexta década de vida.

A prevalência de SAOS na Ásia é semelhante à dos Estados Unidos, apesar do menor peso corporal médio. Essas observações sugerem que a raça pode ser um importante fator de risco, possivelmente relacionado a diferenças na estrutura craniofacial. Nos Estados Unidos acredita-se que esta doença esteja presente em aproximadamente 10 a 30% dos adultos.

Os efeitos mais preocupantes da SAOS incluem o seu impacto no rendimento do trabalho ou durante a condução e a sua associação com o desenvolvimento de doenças cardíacas e vasculares. Sabemos que os acidentes com veículos motorizados são 2 vezes mais prevalentes em pessoas com apneia do sono, comparativamente a quem não tem esta doença.

Os fatores de risco definidos para a SAOS incluem a obesidade, as anomalias craniofaciais e anormalidades dos tecidos moles da via aérea superior. Outros fatores de risco potenciais incluem a influência genética, o tabagismo ou a congestão nasal, entre outros.

A obesidade é o fator de risco mais estudado – a prevalência aumenta progressivamente à medida que o índice de massa corporal e os seus indícios indiretos (por exemplo, a circunferência do pescoço) aumentam.

As anormalidades dos tecidos moles craniofaciais e da via aérea superior aumentam a probabilidade de ter ou desenvolver esta doença. Exemplos destas anormalidades incluem um tamanho anormal maxilar ou uma mandibula curta, uma ampla base craniofacial, hipertrofia amigdaliana e hipertrofia das adenóides.

É importante reconhecer que, embora esses fatores possam estar associados à SAOS, a sua eliminação não cura automaticamente a doença. Por exemplo, a perda de peso ou a correção de uma anomalia craniofacial pode em alguns casos resolver a SAOS, mas a cessação do tabagismo e o tratamento da congestão nasal ou do desvio do septo têm um impacto menos previsível.

Por fim, a SAOS também tem sido associada a todas as causas de mortalidade mais importantes e frequentes, bem como a doenças crónicas, como a doença coronária e à insuficiência cardíaca, ao acidente vascular cerebral, à síndrome de hipoventilação, a doença pulmonar obstrutiva crónica, a fibrose pulmonar idiopática ou a doença mental.