Diagnóstico

Como se faz o diagnóstico da Apneia do Sono

A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por uma obstrução na via aérea superior que leva a um aumento do esforço respiratório juntamente com uma ventilação inadequada. A ICSD-3 continua a diferenciar o SAOS do adulto e o das crianças, uma vez que os métodos diagnósticos e terapêuticos em ambos patologias são diferentes.

A síndrome da resistência das vias aéreas superiores (SRVAS) é uma doença distinta mas está incluída no diagnóstico de SAOS do adulto, dado que partilham alguns sintomas e causas.

 

Assim, o diagnóstico a Apneia do Sono de causa Obstrutiva no adulto deve satisfazer os seguintes critérios: (A + B) ou C

 

A – Presença de um ou mais dos seguintes:

  • Queixas de sonolência, sono não reparador, fadiga ou insónia.
  • Queixas de acordar com sensação de asfixia.
  • Familiares ou outro observador referem ressonar habitual, interrupções da respiração, ou ambas durante o sono da pessoa.
  • Pessoa com diagnóstico conhecido de hipertensão arterial, distúrbio do humor, disfunção cognitiva, doença coronária, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca congestiva, fibrilhação auricular ou diabetes mellitus tipo 2.

 

B – Polissonografia (PSG) onde seja possível comprovar cinco ou mais eventos respiratórios predominantemente obstrutivos (apneia obstrutiva e mista, hipopneias) ou despertares relacionados com esforço respiratório (RERA) por hora de sono em PSG ou por hora de monitorização em poligrafia de sono domiciliária.

 

C – PSG ou poligrafia de sono domiciliária com 15 ou mais eventos respiratórios predominantemente obstrutivos (apneia, hipopneia ou RERA) por hora de sono em PSG ou por hora de monitorização em poligrafia de sono domiciliária.

 

O que é a Polissonografia?

 

O exame pode ser realizado em sua casa se for muito provável que represente um caso de Apneia Obstrutiva do Sono.

O recomendado é que se realize o exame no hospital ou clinica sempre que possível.

 

A PSG de nível 1 é um registo poligráfico realizado durante o sono, onde são registados vários tipos de dados e testes, desde a atividade eletroencefalográfica (EEG), os eletro-oculogramas (EOG), a eletromiograma (EMG) através de elétrodos colocados no mento e, em geral, também nos membros inferiores.

O EEG, o EOG e o EMG do mento permitem a classificação das diferentes fases do sono. Os elétrodos de EMG colocados nos tibiais anteriores (ou seja, na perna) são utilizados para detetar a presença de movimentos periódicos (em vigília ou sono). De acordo com as recomendações da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM), deverão ser usados pelo menos seis canais de EEG.

O PSG inclui também o registo de variáveis cardiorrespiratórias, nomeadamente o ECG, a saturação periférica de oxigénio, a pressão nasal e o fluxo oronasal, bem como o esforço torácico e abdominal durante a respiração.

O registo de vídeo sincronizado com os restantes sinais fisiológicos é ainda utilizado para a observação do comportamento do doente durante o exame.

No caso da Síndrome de Apneia/hipopneia Obstrutiva de Sono, a PSG pode ser diagnóstica ou terapêutica. Neste último exame é utilizado um sistema de ventilação – um ventilador não invasivo – sob monitorização, em laboratório, sendo aferidas as pressões que permitem corrigir os eventos respiratórios do doente e eliminar quase totalmente as suas queixas.

Para além da PSG nível 1, existem outros tipos de registos poligráficos durante o sono que se classificam em PSG de nível 2, 3 e 4. Nos últimos anos, tem sido cada vez maior a procura de exames mais simples que permitam o rastreio de doentes com suspeita de SAOS, no mais curto espaço de tempo possível.

APSG nível 2 possui as mesmas características que uma PSG de nível 1, no entanto é realizado em ambulatório – ou seja, em casa.

PSG nível 3 é utilizado no rastreio de SAOS em doentes de alto risco de SAOS, sem co-morbilidades significativas, nomeadamente patologias neurológicas, cardiorrespiratórias ou outras patologias de sono como a insónia, suspeita de movimentos periódicos de sono, parassónias, ou suspeita de iatrogenia medicamentosa.