A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono e a Segurança Rodoviária

A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma situação caracterizada por paragens respiratórias que se repetem várias vezes ao longo da noite e que originam a diminuição dos níveis de oxigénio no sangue e despertares. Estes sintomas levam a uma má qualidade do sono, na maior parte dos casos associada a hipersonolência durante o dia e à redução da atenção e da concentração. A hipersonolência pode levar as pessoas com SAOS a adormecer com muita facilidade a meio de uma conversa, no local de trabalho ou a conduzir.

A SAOS está associada a um risco aumentado de acidentes de viação que se estima que seja 2 a 12 vezes superior ao da população que não sofre desta síndrome, o que torna a SAOS não tratada um grave problema de saúde pública.

A sonolência diurna excessiva representa um dos principais fatores de risco para acidentes de viação, sendo responsável por 10 a 30% de todos os acidentes de viação, e é a principal causa de acidentes fatais.

 

O tratamento tem eficácia?

Apesar de a SAOS estar associada a um aumento da sonolência diurna e consequentemente a um maior risco de acidentes de viação, esta é uma situação que pode ter solução. Isto porque o tratamento da Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono com CPAP é muito eficaz e reduz significativamente o risco de acidentes de viação.

Através de uma pressão positiva contínua nas vias aéreas, o CPAP consegue evitar os despertares e a menor oxigenação no sangue provocados pela SAOS, devolvendo assim aos doentes a possibilidade de ter noites bem dormidas e um bom descanso.

Os doentes adequadamente tratados – que durmam todas as noites com CPAP e que sejam acompanhados e avaliados periodicamente por um médico –  poderão obter ou renovar as suas cartas de condução, de acordo com a legislação em vigor (Decreto-Lei nº 40/2016 DR nº 145, Série 1 de 29-07-2016). Sendo que a aplicação deste tipo de tratamento não dispensa o cumprimento da boa prática da condução, que implica uma pausa a cada 2 horas de condução e uma noite bem dormida antes de uma viagem longa.

Prof. Dra. Paula Pinto

Coordenadora da Unidade de Sono e Ventilação não Invasiva do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte e professora da Faculdade de Medicina de Lisboa

Artigo em colaboração com RespirarMelhor.pt